Homenagem a Carlos Drummond de Andrade marca programação pelo Dia da Poesia
Homenagem a Drummond fez parte do programa literário Justiça Poética e foi realizada nessa quarta, 18
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. O trecho é um dos mais conhecidos do poeta Carlos Drummond de Andrade, homenageado pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) na noite de quarta-feira, 18 de março. No Espaço Cultura na Justiça, o evento “Dia Drummond: Tributo ao Poeta de Sete Faces” reuniu magistrados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que declamaram alguns dos poemas mais conhecidos do autor.
A iniciativa, que faz parte do programa literário Justiça Poética, celebrou o Dia Mundial da Poesia, comemorado em 21 de março, e contou com a participação das desembargadoras Cristina Tereza Gaulia, Maria Aglaé Tedesco e Ana Maria Pereira de Oliveira, e do juiz Luiz Eduardo de Castro Neves. A jornalista Bianca Ramoneda mediou a conversa.
A magistrada responsável pelo CCPJ, Cristina Tereza Gaulia, destacou como a poesia pode abrilhantar e trazer leveza ao Judiciário.
“A gente vive muito pouca poesia atualmente. Nossas vidas estão digitalizadas, robotizadas, informatizadas. A poesia transforma e é capaz de transformar nossa toga em algo ainda mais exuberante, mais colorida”, afirmou.
A desembargadora acrescentou que a poesia e a escrita de Carlos Drummond de Andrade têm a capacidade de trazer palavras que não costumam aparecer no cotidiano das sentenças e decisões judiciais.
A programação contou com a leitura de poemas do autor pelos convidados, além da exibição de vídeos e áudios com trechos de documentários e entrevistas do poeta. A jornalista Bianca Ramoneda, de forma descontraída, entrevistou um Carlos Drummond de Andrade recriado por inteligência artificial, como se o poeta respondesse às suas perguntas tendo como cenário a conhecida praia de Copacabana.
Poesia faz bem à saúde
A jornalista refletiu sobre como a leitura faz muito bem à saúde, especialmente ler poesia. Bianca destacou a sensibilidade de Drummond e desejou que essa experiência aproxime ainda mais as pessoas do escritor. “O que a gente quer é que todo mundo leia Drummond. Quase que um plano que organizamos, coletivo, para que todo mundo saia daqui viciado no escritor”, compartilhou.
Até a plateia participou da homenagem. Cada pessoa recebeu um papel com um trecho de algum texto de Carlos Drummond de Andrade e fez a leitura de sua passagem. O evento também incluiu poemas de Drummond musicados, na época, pelo cantor e compositor Belchior, que, no álbum As Várias Caras de Drummond, interpretou 31 poemas do escritor.
A apresentação ficou a cargo do cantor e músico Serggio Torres, que interpretou uma seleção desse repertório. O artista apresentou Cantiguinha, Canção Amiga e Quero me casar.
A maior parte dos poemas lidos integraram o livro Antologia Poética, organizado pelo próprio Drummond. As exceções pertencem à obra Alguma Poesia.
Em um cotidiano cada vez mais acelerado, a obra de Drummond permanece como um convite à pausa e à reflexão. Sua escrita, marcada pela simplicidade e profundidade, segue atual mesmo em meio às incertezas, nos lembrando que sempre há palavras capazes de dar sentido ao mundo.
VS/ SF
Fotos: Rafael Oliveira/ TJRJ